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Em busca dos tesouros do Mausoléu de Qin Shi Huang
2004/06/15


Em nossos programas anteriores, você pode ter ouvido falar dos guerreiros em terracota. Aliás, os ouvintes brasileiros devem ter uma idéia mais concreta, pois os tesouros arqueológicos datados em mais de 2 mil anos acabam de ser expostos na Oca do Parque Ibirapuera em São Paulo.


As estátuas gozam de uma fama tão grande que quase ofuscam a tumba do primeiro imperador chinês. De fato, o conjunto arqueológico formado pelas três fossas que abriga o exército em terracota possui uma superfície com mais de 22 mil metros quadrados, mas representa apenas 1% de toda a área que abrange a Mausoléu e as tumbas com os guerreiros. Apesar de ser pesquisado desde 1962, o Mausoléu continua sendo um enigma para os arqueólogos. Basta lembrar que o conjunto já é misterioso o suficiente por pertencer a Qin Shi Huang - primeiro imperador feudal chinês, que unificou a China há dois milênios-, e que impressiona pelas dimensões de sua superfície total, que alcança 56 km2.



O imperador Qin Shi Huang foi o primeiro monarca feudal na história chinesa. Ele viveu entre os anos 259 e 210 a C e unificou a China em 221 a.C. Desde então, a China passou a ser um país unificado, com múltiplas etnias e todo o poder centralizado nas mãos de seus imperadores durante quase 2000 anos. Foi ele que mandou construir e interligar a Grande Muralha, um dos símbolos da China. Além disso, ele mandou construir seu gigantesco Mausoléu, pretendendo levar com ele toda a riqueza que possuía, além de seu exército, para a vida pós-morte. Por isso, o projeto é uma miniatura da antiga capital, contando com uma cidade exterior, uma cidade interior, e a própria câmara subterrânea. Cada parte tinha seus respectivos edifícios, tais como aqueles da capital. Lamentavelmente o tempo comprometeu tijolos e telhas e o que podemos observar na superfície do solo é apenas uma colina com 46 metros de altura.


Levando em consideração seu valor histórico e suas dimensões, sem uma minuciosa pesquisa prévia, a abertura ou a exploração da tumba pode danificar a arquitetura de maneira irreversível. Além disso, segundo os poucos registros históricos, o chão da câmara subterrânea é uma miniatura do mapa de época da China. No lugar dos rios e mares, por exemplo, foram colocadas grandes quantidades de mercúrio. A abertura da tumba pode causar o vazamento do vapor de mercúrio, altamente tóxico a saúde, se não forem adotadas adequadas medidas de segurança. Talvez seja por isso que até hoje o túmulo permanece intacto e aumente ainda mais o mistério deste Mausoléu. Será que o monarca está sepultado em baixo da colina? Qual seria a estrutura e o tamanho exato da câmara subterrânea? Houve infiltração de água no sub-solo ou não? Graças à alta tecnologia, algumas dúvidas já têm uma resposta.




Por intermédio das técnicas de sensoriamento remoto e de geofísica, uma pesquisa patrocinada pelo Ministério de Ciências da China confirmou que há realmente uma câmara na forma retangular na profundidade de 35 metros no subsolo da colina, que mede 170 x 14m. Para os arqueólogos chineses isto é uma novidade. Há registros que apontam que a própria câmara subterrânea - o suposto local que armazenaria os restos fúnebres do imperador-, ficava no fundo do monte e estaria interligado com a colina artificial por um túnel. Ou seja, para enganar os eventuais saqueadores, o imperador poderia mandar construir seu túmulo em outro lugar e, de fato, não existiria nada em baixo da colina artificial. O resultado da sondagem vetou a hipótese. “Não vejo o motivo de construir uma tumba desse tamanho só para enganar!”explicou o professor Liu Shiyi, engenheiro chefe do projeto, “Porém, não podemos comprovar ainda se há grande quantidade de tesouros como a história registra e se eles estão intactos.”


Além disso, foi detectado um muro com 30 metros de altura rodeando a câmara subterrânea. Segundo a pesquisa, o muro é composto por várias camadas de terra fina batida, cada camada com 5 a 6 cm de grossura. Assim o muro é tão forte e sólido que resistiu a vários terremotos de 8 graus na escala Ritcher ao longo da história e contribui para a conservação da câmara no subsolo. “Além disso, a existência de um muro assim é inédita nos ritos fúnebres chineses, o que dá, neste momento, um formato ímpar que merece mais estudos” afirmou o arqueólogo Duan Qingbo.



Será que o imperador realmente levou uma fortuna para o subsolo? Será que podemos achar ainda tais tesouros depois de 2 milênios? Para arqueólogos, ainda há muitos enigmas a serem resolvidos.


Outra curiosidade foi a composição e a distribuição de mercúrio na camada de cima da câmara subterrânea, sendo a densidade do elemento mais forte no sudeste e sudoeste, e mais fraca no nordeste e noroeste. Isso o que quer dizer?


Segundo os poucos registros históricos, o chão da câmara subterrânea é uma miniatura do mapa de época da China. No lugar dos rios e mares, por exemplo, foram colocadas grandes quantidades de mercúrio. Então, a disposição detectada do mercúrio corresponde exatamente à localização dos recursos hídricos e oceanográficos chineses: os principais rios nascem no sudoeste, percorrem o país no sentido oeste-leste e deságuam nos mares do sudeste. “O próprio imperador esteve no Golfo do Mar Bo e muito provavelmente ele o colocou no mapa de seu palácio subterrâneo. Se isto for confirmado, comprovará que os ancestrais da remota dinastia Qin já tinham conhecimento básico da geografia e topografia do país. Isso será uma outra novidade para os arqueólogos e historiadores” explicou o professor Liu Shiyi, engenheiro em chefe da pesquisa. Segundo ele, além de dar uma grande magnificência a obra, o mercúrio vaporiza-se e o gás protege o corpo e os objetos enterrados da deterioração e intoxica eventuais assaltantes.



Na realidade, as pesquisas sobre o mausoléu de Qin Shi Huang foram iniciadas em 1962.Mas, ao longo destes anos, não houve resultados substanciais. Desta vez, no entanto, um importante passo foi dado, porém o mausoléu continua envolto num imenso mistério, pois pertence a um monarca lendário que foi o primeiro imperador da China e data a uma época tão remota de 20 séculos atrás.


Em 1987, a UNECO colocou o mausoléu na lista de Patrimônios Culturais da Humanidade e, no início deste ano, a província de Shaanxi decidiu construir o parque das ruínas do mausoléu, com um investimentos de US$ 69 milhões. A obra deve ser concluída em 2005. Então, quando visitar as estátuas em terracota em Xi’an, não se esqueça de dar uma olhada também a este gigantesco mausoléu, local dos restos fúnebres do primeiro imperador chinês.



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